Que país é este? #ICH apresenta Moçambique

No próximo sábado 27/11 ocorrerá mais uma Interconexão Humana entre São Paulo e Maputo, promovendo o encontro entre produtores culturais e artistas brasileiros e moçambicanos com o objetivo de fomentar redes colaborativas e de trocas culturais entre a comunidade de países de lingua portuguesa CPLP.

Em São Paulo a conexão será estabelecida no Centro Cultural da Juventude – Ruth Cardoso(CCJ) e será aberto ao público interessado que poderá participar das discussões que envolverão  cada um dos blocos temáticos da programação: Literatura, HipHop, Redes Socias/Internet e Intercâmbio Brasil-Moçambique.

Sábado 27/11/2010

São Paulo / Brasil : 10:00 as 14:00 – CCJ (Centro Cultural da Juventude)

Maputo / Moçambique : 14:00 as 18:00 – CCBM (Centro Cultural Brasil-Moçambique)

Acompanhem Cobertura Colaborativa

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Revista Platina – Conteúdo Angolano em Português

Criada em 2009 a fim de promover, através de um portal de conteúdo, a interatividade e a valorização do profissional do mercado de entretenimento para jovens  jovens profissionais com experiência no segmento de programação e criação de conteúdos multimídia e de entretenimento.  A revista também conta com uma comunidade virtual onde o usuário cadastrado tem direito a participar de promoções, premiações, postar artigos e participar de fóruns.

Uma iniciativa importante para a Comunidade de Países de Língua Portuguesa que agora conta com mais um canal de expressão da voz angolana no ciberespaço.

Parabéns aos editores da Revista.

link:
http://www.revistaplatina.com

Deu no Le Monde: Aumentam os investimentos para que a África tenha acesso à Internet de alta velocidade

por
Philippe Bernard

Conectar-se à Internet na África é como telefonar na França dos anos 1960. Conexões aleatórias, velocidade de transmissão terrível, panes inesperadas, às vezes com cortes de eletricidade que tornam inúteis as horas de paciência. “Uma carroça puxada por mula sobre uma autoestrada”, resume um internauta do Moçambique no site da BBC. No Quênia, uma propaganda de Internet rápida mostra um executivo furioso batendo a cabeça em seu computador.

Então é uma boa notícia para o continente: o primeiro cabo de fibra ótica que liga a costa leste à Europa e à Ásia acaba de ser inaugurado nas cidades portuárias de Mombasa (Quênia) e Dar es Salaam (Tanzânia). Ao longo de 17 mil quilômetros que atravessam o oceano Índico, essa nova artéria do planeta comunicante conecta África do Sul, Moçambique e Tanzânia a Marselha, Londres e Mumbai. Metade do investimento de 420 milhões de euros foi cedida por operadoras e investidores sul-africanos, e a outra metade por quenianos e americanos.

Abusando de frases grandiloquentes, os empreendedores desse cabo chamado “Seacom” anunciam uma redução de 90% do custo de acesso à Internet rápida para as operadoras e uma velocidade dez vezes maior. De fato, as novas capacidades oferecidas deverão melhorar o desempenho e os preços de uma Internet africana que muitas vezes depende de ligações por satélite, mais caras e menos eficientes.

Mas “o despertar de uma nova era para as comunicações”, segundo seus discursos, não é um acontecimento singular.

Só no ano que vem, quatro outros cabos – dois na África Ocidental (GLO-1 e MaIN OnE), dois no leste do continente (TEAMs e EASSy) – serão ativados, e dois outros até 2012. O aceleramento é considerável: antes da Seacom, a África Oriental não tinha a fibra ótica, e a África Ocidental tinha um único cabo, SAT3, em serviço desde 2002. Diversas dessas instalações, cuja cabeça-de-ponte é a África do Sul, estarão prontas para a Copa do Mundo de futebol em 2010.

“A mudança foi radical: a Internet é agora considerada como um elemento estratégico pelos governantes africanos”, constata Georges Krebs, diretor-geral adjunto das redes submarinas na Alcatel-Lucent, um dos principais fornecedores de cabos. “Um corte na Internet é sentido tão duramente quanto uma pane elétrica. Cortes acidentais no Sudão ou no Egito foram tratados como questões de Estado”.

Educação, medicina, centrais de atendimento, turismo, informação: não faltam aplicações da Internet em um continente que, superando todas as expectativas, adotou de forma maciça e rápida o celular como um substituto à mediocridade das estradas e da rede telefônica fixa, adaptando seus usos à pobreza que prevalece. Além disso, os economistas consideram a Internet como um acelerador de crescimento. Um recente estudo do Banco Mundial avalia que um aumento de 10% dos pontos de acesso à Internet rápida gera 1,3 ponto de crescimento.

É verdade que na África, onde em média menos de 5% da população utiliza a Internet (0,5% no Congo-Kinshasa, mas 8% no Senegal), a margem de crescimento é enorme. Em termos de velocidade, visto que o imenso continente só dispõe, por enquanto, de um terço da capacidade de um Estado como a Índia, segundo a União Internacional das Telecomunicações. Mas também em termos de preço, uma vez que lá o custo de acesso é de 5 a 10 vezes mais alto que em países desenvolvidos. Em um ciber-café de Brazzaville, a hora de conexão (lenta) custa metade do equivalente à diária de um salário mínimo ideal.

“O grau de crescimento da demanda com poder aquisitivo – o índice é de dois dígitos em um ano – é tão alto que não há risco de capacidade excessiva dos novos equipamentos”, garante Vivek Badrinath, diretor-executivo da France Telecom. Ele responde dessa forma aos observadores que destacam a propensão das “operadoras históricas”, também coproprietárias do cabo existente, a trancar seu acesso para impedir seus concorrentes de poderem acessá-lo, causando a escassez. Em certos países, o uso do telefone pela Internet é proibido às empresas para proteger o mercado da telefonia fixa.

Localmente, os antigos monopólios sobre o telefone muitas vezes ficam nas mãos dos clãs no poder. A France Telecom Orange, bastante presente nas operadoras africanas, exibe “a democratização da Internet” como “uma prioridade estratégica”. A Internet sem computador, ou seja, a difusão de terminais do tipo iPhone simplificados e fabricados na China ou na Europa, poderia ser seu vetor na África. Por falta de cabeamento terrestre suficiente, as redes de telefonia móvel parecem estar em melhor posição para popularizar o acesso à Internet.

Resta saber se as novas capacidades oferecidas encontrarão uma demanda com poder aquisitivo, e se a concorrência favorecerá tarifas mais acessíveis. Sem se comprometer com a redução dos preços, Badrinath acredita que a insuficiência do acesso ao cabo impediu até o momento moderar as tarifas.

De fato, a concorrência deverá se intensificar na África Ocidental, onde os principais empreendedores dos dois projetos de cabeamento concorrentes são a francesa Orange e operadoras sul-africanas, presentes nos países servidos.

Eric Bernard, autor de uma tese sobre a Internet na África Ocidental, duvida de uma verdadeira democratização. “Por que monopólios de fato, cujos clientes são fieis, abaixariam seus preços?”, ele questiona. “Será difícil para eles encontrar um número suficiente de clientes com poder aquisitivo e munidos de computadores para compensar a diferença de lucro”.

O futuro dirá se essa competição beneficiará também os países da África Central. Cercados, eles dependem ou do satélite – que tem a vantagem de servir uma zona inteira sem infraestrutura terrestre -, ou da boa vontade de seus vizinhos que têm uma orla marítima.

Pois os cabos não são simples canos de som e imagem. Sua cartografia reflete a realidade das relações econômicas. Dessa forma, a Nigéria e a África do Sul, potências dominantes do continente, são as principais empreendedoras africanas dos cabos. Os novos cabos costeiros permitirão ligar os países africanos que interessam ao mundo rico (destino de 90% do tráfego), mas também entre eles diretamente. Uma pequena revolução em relação à situação atual, onde 75% do tráfego interafricano transita (via satélites) por plataformas nos países do Norte, que recebem deles os benefícios.

Entretanto, a conquista pelos africanos de seu ciberespaço continuará limitada: pelo jogo das filiais das operadoras e das participações financeiras nos consórcios que administram as ligações em fibra ótica, europeus e americanos continuarão a manter a melhor parte.

Tradução
Lana Lim

fonte
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2009/08/24/ult580u3883.jhtm

Programa XPTA.LAB

Edital foi divulgado nesta quinta-feira (dia 13) e as inscrições estão abertas até 13 de outubro.

Foi publicado nesta quinta-feira, 13 de agosto, no Diário Oficial da União, o edital Programa Laboratórios de Experimentação e Pesquisa em Tecnologias Audiovisuais (XPTA.LAB). O programa – que visa apoiar laboratórios voltados para a pesquisa e experimentação em tecnologias audiovisuais – foi apresentado pelo secretário do Audiovisual, Silvio Da-Rin, no último dia 11, em uma coletiva de imprensa em São Paulo.

O edital permite a inscrição como projetos, dentre outros, de jogos digitais; consoles de videogame; dinâmicas de web; aplicativos para TV digital, celulares e televisão com protocolo de interntet (IPTV); e smart phones de qualquer gênero e temática. Podem se inscrever entidades e instituições jurídicas públicas e privadas que atuam no setor de desenvolvimento de trabalhos em plataformas digitais e tecnologias audiovisuais. O período de inscrição é de 13 de agosto a 13 de outubro deste ano.

XPTA.LAB

O Programa vai selecionar quatro projetos de excelência nas áreas de plataformas digitais. Relacionados a cada um, devem ser apresentadas ainda propostas de doze projetos consorciados, que serão módulos a serem desenvolvidos obrigatoriamente por pessoas jurídicas ou físicas consorciadas ao proponente principal do projeto.

Com um ano de prazo para sua execução, cada projeto contemplado receberá R$ 850 mil, sendo que R$ 450 mil serão investidos no desenvolvimento do projeto de excelência e R$ 400 mil nos módulos a ele relacionados. A iniciativa do Ministério da Cultura é realizada, em conjunto, pelas Secretarias do Audiovisual (SAv/MinC) e de Políticas Culturais (SPC/MinC), em parceria com a Sociedade Amigos da Cinemateca.

Confira o edital.

Ilhas e pontes, diversidade e semântica

por:
Guilherme Marin e Paulo Edison Indio

Em tempos de organização social em rede através do constante aprimoramento tecnológico da internet, muitos conflitos de interesse se acumulam em torno do compartilhamento e da produção de conteúdos audiovisuais. Para a discussão de temas para os quais ainda não temos solução foi criado o Fórum Internacional de Governança na Internet – IGF, que, em sua terceira edição no ano de 2008, foi realizado na cidade de Hyderabad, Índia.
O imaginário coletivo associa, muitas vezes, a internet a um modelo anárquico de livre expressão de idéias e intercâmbio de conteúdos, portanto, ao reunirmos certo grupo de pessoas que debatem acerca de bases para a constituição de regras logo vem à mente o modelo ocidental positivo de contrato social.
Generosa foi a curadoria das mesas de debate que buscou aprofundar três eixos temáticos embasados no desafio da inclusão do próximo bilhão de usuários globais na internet, nas dificuldades de infra-estrutura de acesso que essa inclusão implicará e, ainda, como se dará este processo no trato de tamanha diversidade humana em que um universo lingüístico não encontra representatividade de conteúdos frente a um número restrito de idiomas que prevalecem na web.
Entre as questões fundamentais estão algumas perguntas como, por exemplo: Incluir para quê? Inclusão a serviço de quem? A criação de infra-estrutura atende a demanda de que mercado? A padronização de um idioma serve aos interesses de quais áreas do conhecimento e países?
A humanidade imersa em crise econômica, histórica e social, vive um período em que o modelo de sociedade de consumo e o ideal de organização social se encontram desacreditados, enquanto se assiste confortavelmente a banalização da vida e a desumanidade nas relações de mercado. As relações em rede, tanto econômica como social, fazem parte da sociedade moderna, não obstante podemos dizer que a web está consolidada como uma ferramenta essencial para a troca de conhecimento entre a diversidade de povos que constituem a humanidade.
Segundo previsões deveremos atingir a expressiva marca de um bilhão de usuários de internet em 2009, portanto, é o momento apropriado para refletir uma ética global a partir do que já observamos nestes primeiros passos de consolidação de redes sociais transnacionais e devemos nos perguntar sobre os desafios que deveremos enfrentar no processo de inclusão do próximo bilhão de usuários. É importante discutirmos como podemos partilhar este espaço com os próximos que se juntarão a redes, produzirão textos, podcasts e vídeos distribuídos em canais globalmente conectados como o celular, a internet e a TV digital.
O encontro de culturas tão diversas produz choques, inevitavelmente, ao passo que perdemos a referência espacial entre ocidente e oriente, periferia ou centro, e passamos a nos identificar conceitualmente enquanto redes. A economia contemporânea, segundo o geógrafo Milton Santos, se organiza em rede, todavia, a demanda é definida do externo para o interno, ou seja, o mercado por meio da intensa propaganda massifica o ideal de sociedade construindo quase que hegemonicamente um modelo social padrão. É a supressão da cultura, do conhecimento local e a dependência externa que gera concentração de renda, apropriação de conhecimento, exploração e miséria.
O futuro nos obriga a buscar soluções que atuem em mediação com fins de equilibrar, em oposição ao modelo da negociação predominantemente utilizado na cultura ocidental, que favorece o aparecimento de assimetrias e pode facilmente ser observado pela análise da infra-estrutura de conexão das regiões mais carentes do planeta, cujas precariedades aumentam o custo por tecnologias alternativas mais sofisticadas. Injustamente vivemos um modelo em que o custo de produtos e serviços é extremamente maior para os que menos podem pagar, o caso da maior parcela da população mundial. Devemos lembrar que exemplos não faltam de investimentos externos que geraram desenvolvimento e ao mesmo tempo dependência, padronizações de consumo e relacionamentos. Na America Latina, por exemplo, viveu-se um processo histórico de importação de tecnologia em invés de investimentos na produção tecnológica, tornando-a dependente dos acordos e regras da política econômica internacional que gera miséria e concentração de riquezas. Não defendemos o isolamento econômico, investimentos internos devem ser mediados, existe a necessidade de pensar o que, como, quais as principais conseqüências sócio-ambiental e quem se beneficiará no longo prazo por esse investimento.
Afora lançarmos a atenção a aspectos técnico-físicos relativos a acessibilidade, nos obrigamos a enfrentar o desafio de produção de conteúdo que identifique realmente esta diversidade. Neste aspecto a escolha da Índia como anfitriã do IGF também foi muito apropriada devido a grandeza populacional e da miscelânea cultural de seu bilhão de falantes distribuídos em diversas línguas particulares de cada região do país.
O rompimento do padrão espacial estabelecido aproxima o rural e o urbano, o materialismo e o espiritualismo, e nunca a noção de valor foi tão distanciada do ícone do dinheiro como no momento histórico em que vivemos. Devemos avaliar a importância dos preciosos conhecimentos tradicionais de culturas longevas, sua oralidade, sua mitologia, línguas e artes, são de valor inestimável desenvolvido historicamente pela ancestralidade humana. Neste novo contexto de rede global, o conceito de Humanidade ganha em significado. Afinal, todos os homens e mulheres do planeta são partícipes desta comunidade chamada Humanidade?
O que atrai na internet é a possibilidade de acesso a conhecimentos construídos em um sem número de países. A abrangência do banco de dados e de aplicativos disponibilizado terá relação direta com a capacidade de cada indivíduo de transitar em diversas línguas, hoje com preponderância para o inglês.
Países, como Burkina Faso, que adotaram como língua oficial um idioma diferente daquele que guarda o conhecimento tradicional de sua população, apresentam casos bastante sensíveis, visto que a maior parte da comunicação entre os cidadãos se dá pela tradição que detém o conhecimento oral de sua cultura. Poucas são as línguas tradicionais que foram transcritas em caracteres compatíveis com as interfaces existentes. Trata-se de disponibilizar conhecimento e esta é a base funcional da própria internet.
É necessário criar ciberespaços em que os usuários se identifiquem e se reconheçam. Só assim é possível gerar interesse e proliferar a produção de conteúdo, localmente. O recurso audiovisual assume fundamental importância enquanto instrumento de registro da oralidade e da linguagem corporal e é capaz de agregar comunidades, além de possibilitar a comunicação direta entre pontos isolados geograficamente, mas que partilhem identidades culturais. A internet é baseada não só na produção de conhecimento, mas na interatividade que constrói críticas e comunidades a partir dos conteúdos postados.
O receio reside no fato de sabermos se haverá catalização de esforços nesta direção ou se manteremos a lógica ocidental iluminista que busca estabelecer formas a priori que abranjam a totalidade das experiências. Ora, num mundo em que a diversidade cultural está cada vez mais surpreendente, não é possível pensarmos em modelo totalizante porque assim caminhamos rumo à injustiça.
Nosso momento histórico exige respeito, solidariedade e ética. Não banalizemos estas palavras, pois vivemos emergências ambientais, sociais e econômicas, em que o modo de vida global passa a fazer parte da cinética cotidiana individual de cada pessoa do planeta. As relações pessoais em ambiente virtual devem buscar romper este padrão de massificação cultural que vivemos muitas vezes estimuladas por governos e empresas que têm dentro de si, na burocracia e no projeto industrial, a padronização de inúmeras repetições umas idênticas às outras a fim de ganhar eficiência, reduzir tempo e custos.
Pessoas não podem se resumir a fichas e processos. O caminho para a preservação e difusão cultural deve respeitar um equilíbrio e propiciar a livre escolha do usuário da internet. A falta de conteúdo em línguas tradicionais em Burkina Faso mantém as pessoas fora da internet. O ensino de francês aos falantes de Mòore ou Dyula não resultará em um efeito inclusivo, mas na exclusão da identidade cultural burkinense da web e desta forma impossibilitará a apropriação do ciberespaço por sua população.
É necessário esforço governamental, de empresas e da sociedade civil organizada nesta trajetória de construção e colaboração para que conteúdos e aplicativos sejam disponibilizado de modo igualitário.
A sociedade local tem que participar e conseqüentemente se mobilizar para atuarem como protagonistas na construção de uma sociedade global mais justa com respeito a diferenças, sendo a internet uma ferramenta que possibilita a produção e acesso ao conhecimento de todos e a todos.